“Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”

11/04/2012

Ontem rolou em São Paulo a pré – estreia do filme “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, baseado no livro homônimo do escritor Marçal Aquino, com  direção de Beto Brant e Renato Ciasca.

Brant já tinha levado para as telas, em 2001, outra obra de Aquino, “O Invasor”, onde contou com o auxílio de Ciasca e do próprio autor do livro para a construção do roteiro. Mas o diretor ganhou notoriedade em 1998, quando lançou “Ação entre amigos”, que mostra a história de quatro ex-guerrilheiros, que após 25 anos do final do regime militar se reúnem para iniciar uma vingança contra o homem que os torturou na década de 70.

Dessa vez o diretor apresenta o triângulo amoroso vivido por Cauby (Gustavo Machado), fotógrafo que está de passagem pelo interior da Amazônia, pela instável e misteriosa Lavínia (Camila Pitanga) e por seu marido, o pastor Ernani (Zecarlos Machado), que acredita ser possível consertar o mundo.

O longa não chega a citar outros personagens do livro, focando apenas no presente dos três personagens, no passado, problemático, de Lavínia e de Ernani.

Mas para apresentar essa história para o espectador, Brant lança mão de um artifício que durante muito tempo o cinema nacional quis deixar para trás, a nudez gratuita.

Para ilustrar o enredo, além de se valer das imagens da Amazônia e da cultura indígena, o diretor se vale da beleza de Camila. Pelo menos dois terços do filme contam com a nudez, por muitas vezes frontal, da personagem da atriz. Na maioria das cenas, essa nudez, gratuita, chega a ser desnecessária para a compreensão da história, transformando o longa em um pornô soft e enfadonho.

Talvez esse tenha sido o grande erro do diretor, que tinha nas mãos um romance com desfecho surpreendente e o talento de Pitanga, que chega a ser gritante, tanto que a atriz ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio 2011, e ao invés de utilizar isso a seu favor, transformou a versão cinematográfica da obra de Aquino em uma retomada da pornochanchada.

 

Título original: Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios
Lançamento: 2012
Direção: Beto Brant e Renato Ciasca
Elenco: Camila Pitanga, Gustavo Machado e Zecarlos Machado
Gênero: Drama

 

E finalmente o Foo Fighters aportou em São Paulo

09/04/2012

Depois da espera de 17 anos, no último sábado, 07 de abril, finalmente o público (paulista, carioca e de tantas outras regiões do Brasil, já que era evidente a mescla de diversos sotaques entre os presentes) pode finalmente presenciar o que é um show do grupo americano Foo Fighters.

Com uma apresentação que durou cerca de 2 horas e 30 minutos, tempo impensável de concerto para bandas gringas que costumam tocar no Brasil, mesmo que sendo o headliner de um festival, o grupo liderado pelo lendário baterista do Nirvana, Dave Grohl, mostrou porque funciona muito bem ao vivo. Com uma mega presença de palco e sempre fazendo questão de interagir com os outros integrantes, o vocalista deixou claro, para uma platéia de quase 70 mil pessoas, como é que se faz rock’n roll em tempos onde playbacks de Britney Spears e outras figurinhas do pop arrastam milhares para seus shows.

O setlist foi quase similar ao apresentado no Quilmes Rock na Argentina três dias antes. A diferença foi a ausência de “These days” (muito sentida por essa que vos escreve) que foi substituída por  “I Love Rock’n’ Roll” com a participação de Joan Jett, que também dividiu os microfones com Grohl durante “Bad Reputation”.

Durante toda a apresentação o vocalista fazia questão de interagir com o público, que ficava em polvorosa a cada acorde de uma nova canção. Mesmo músicas como “Big Me” e “This Is a Call”, do primeiro da cd banda, o álbum homônimo de 1995, empolgavam a multidão, exceto a menina que estava na minha frente que claramente estava entediada de estar ali só para acompanhar o namorado e permaneceu imóvel durante todo o concerto.

A banda apresentou as músicas de quase todos os CDs da carreira, sem focar seu repertório apenas no ótimo e último disco “Wasting Lights” de 2011. Talvez esse apanhado de músicas, de diferentes períodos, tenha permitido que o show mantivesse o vigor, tanto da banda quanto do público, do começo ao fim.

Em suma, foi uma apresentação certeira, como li em algum lugar, o Foo Fighters já entrou em campo com o jogo ganho. Grohl poderia ter se dado por satisfeito com isso, mas não, fez uma apresentação que resumiu o Lollapalloza Brasil 2012 ao show do Foo Fighters, onde todas as bandas que tocaram antes, poderiam ser consideradas “bandas de abertura”.

“Millenium – O homem que não amava as mulheres”

05/02/2012

Antes de mais nada é preciso ressaltar, que mesmo David Fincher ter se dedicado nos últimos quinze anos a direção de longas, o diretor não perde a mão quando o assunto é vídeo clip. Responsável por clips emblemáticos de artistas como Madonna, Rolling Stones, Nine Inch Nails e Aerosmith, entre outros.

E a maestria para casar imagem e música fica claro no clipe de abertura do filme, quando nos deparamos com a estridente vocalista do Yeah Yeah Yeahs, Karen O, interpretando a clássica “Immigrant Song” do Led Zeppelin. Fincher consegue transmitir ao telespectador, nesses quase dois minutos, aquilo que será mostrado no filme, frieza, suspense e um um clima soturno.

“O homem que não amava as mulheres” é a primeira adaptação em língua inglesa do romance sueco  “Män som hatar kvinnor”, de Stieg Larsson, que chegou pela primeira vez às telas em 2009, pelas mãos do diretor Niels Arden Oplev.

Em quase três horas, Fincher conta a história da família Vanger, que há 40 anos tenta achar a resposta para o sumiço de um de seus membros, a jovem Harriet, de apena 16 anos.

Para solucionar esse mistério, o rico industrial Henrik Vanger (Christopher Plummer), entra em contato com o jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig), com a desculpa de que gostaria de escrever sua bibliografia. Ao chegar na casa do milionário, Blomkvist descobre o real motivo pelo qual foi chamado.

No início, o jornalista se mostra um pouco relutante para aceitar a oferta, mas após ser condenado por difamação, resolve aceitar a proposta e se muda para a ilha onde vive a família Vanger, no norte da Suécia.

Ao começar a estudar todo o material que dispõe e conhecer melhor os membros da família, o jornalista mergulha em uma história mais aterradora e decide que precisa de auxílio em suas pesquisas.

É quando a hacker com ares punk Lisbeth Salander, interpretada pela irreconhecível Rooney Mara, que até então tinha sua história mostrada em paralelo a de Blomkvist, entra de vez na narrativa.

A fotografia, a locação e a trilha sonora, que mais uma vez ficou a cargo de Trent Reznor e  Atticus Ross, que já haviam colaborado com Fincher em “A Rede Social”, funcionaram também como importantes personagens para a trama.

“O homem que não amava as mulheres” é um blockbuster, não dos mais óbvios, como “Titanic”, mas ainda assim não foge dessa alcunha.

O fato de Fincher ter ganhado o Globo de Ouro e sido indicado ao Oscar por melhor direção em 2011, por “A rede social”, adaptação do livro “The Accidental Billionaires“, sobre a criação do Facebook, automaticamente levaria ao topo das bilheterias seu próximo trabalho.

Em suma, “O homem que não amava as mulheres”, é apenas mais uma adaptação de um sucesso literário.

Título original: The girl with the dragon tattoo
Lançamento: 2011
Direção: David Fincher
Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Robin Wright, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Steven Berkoff, Geraldine James
Gênero: Suspense

Marcelo Camelo apresenta seu novo CD em São Paulo

04/05/2011


Foto: Samantha Spilla

No último final de semana, Marcelo Camelo, o eterno hermano, começou a divulgação de seu novo cd, “Toque dela”. Acompanhado da banda Hurtmold, que também participou do novo projeto do músico.

Depois de três anos do lançamento do seu primeiro cd solo, “Sou”, o cantor e compositor lotou o SESC Pompéia durante quatro dias para apresentar as novas canções. Ainda mantendo um pouco da solidão, característica sempre presente em suas composições, Camelo mostrou um repertório mais alegre, com letras menos melancólicas.

O set list do show não ficou preso apenas ao repertório do “Toque dela”. O show contou com as canções do primeiro cd, como “Janta”, momento de grande expectativa para a audiência, pois muitos acreditavam que Mallu Magalhães, que divide o microfone com Camelo na gravação original, entrasse no palco. Mas para a decepção dos presentes, o dueto não aconteceu.

O público também matou as saudades da banda que projetou Camelo para o sucesso. Na metade do show, os saudosos fãs puderam cantar a plenos pulmões “Morena” e “A Outra”, que começou com a introdução de “Samba a Dois”. Um dos ápices da apresentação foi quando Camelo tocou os primeiros acordes de “Doce solidão” e o público, em uníssono, começou a cantar, apenas acompanhados pelo violão do músico.

Foto: Samantha Spilla

O Hurtmold, banda de apoio da turnê, que por muitas vezes foram os responsáveis pela abertura dos shows dos Los hermanos, mostrou completo entrosamento com o cantor na execução das músicas.

Durante as quase duas horas de show, a cada melodia, era claro que o cantor já tinha ganho o público. Grande parte dos presentes já faziam coro com Camelo durante a apresentação das canções do recém – lançado cd.

Até quem não acompanhava a carreira da finada banda do cantor ou era familiarizado com o som do primeiro cd de Marcelo Camelo, se surpreendeu com o resultado apresentado no palco. Um show dinâmico e que em nenhum momento caiu no ostracismo.

Durante a apresentação de domingo, que encerrou a temporada paulista, Camelo demonstrou simpatia, ao conversar por diversas vezes com o público, agradecendo a recepção que teve durante toda a estadia na cidade.

“Alice”

26/04/2010

E mais uma vez  o famoso romance do inglês Lewis Carroll, “Alice”, chega às telas dos cinemas, agora pelas mãos de Tim Burton. A história transcorre como a conhecemos. Uma garota, rebelde para os padrões da época em que vive, cai na toca do coelho, indo parar no  Mundo Subterrâneo. A partir daí tem início uma verdadeira fábula, com direito a animais que falam, rainha com cabeça gigante e monstros.

Só que sob o comando de Burton, a trama é apresentada com uma pegada muito mais “underground”. A começar pela caracterização da própria Alice (Mia Wasikowska), que no começo do filme se mostra apática, branca como uma vela, enfiada em um vestido azul claro inexpressivo.  Mas conforme a trama se desenrola, a personagem passa a adquirir outros contornos, muito mais definidos. Seu figurino passa a ter mais cor, mais personalidade.

Até mesmo a vilã, a Rainha de Copas (Helena Bonham-Carter) , tem sua veia sarcástica, demonstrado pela sua fascinação em cortar cabeças alheias quando alguém não age conforme a sua vontade. Independente se aquele que à afronta é um mero sapo ou mesmo, o até então, seu braço direito.

E o cenário, como não poderia deixar de ser, é fantástico e por vezes sombrio. Sendo que não é difícil que o espectador se confunda e passe a acreditar, por um minuto, que está assistindo “A lenda do cavaleiro sem cabeça”, já que as florestas de ambos os filmes são idênticas.

Burton recorre a diversos efeitos visuais, até mesmo ao 3D, para narrar uma história simples. Em suma, “Alice” mostra o amadurecimento de uma garota de 19 anos, que não se contenta com o futuro que lhe é proposto, e que vai atrás daquilo que almeja, mesmo que isso implique ir além mar.

Alice no País das Maravilhas

Título original: Alice in Wonderland
Lançamento: 2010
Direção: Tim Burton
Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham-Carter , Anne Hathaway, voz de Stephen Fry, voz de Alan Rickman
Tempo: 108 min
Gêneros: Aventura/Fantasia

“Um homem sério”

15/03/2010

E com mais uma história bem contada no currículo, os irmãos Ethan e Joel Coen, mostram que o fato de estarem há tanto tempo na indústria cinematográfica ainda não os fizeram perder a mão para criar ótimas histórias e administrá – las de maneira ímpar.
No epílogo de “Um homem sério” já ocorre um fato deveras surpreendente, provocando espanto com pitadas de humor negro no telespectador. O que se segue, é o conjunto de ações surreais que recaem sobre o protagonista Larry Gopnik, na interpretação ótima de Michael Stuhlbarg.

Larry é um professor de física judeu, que leva uma vida pacata, e de uma hora para outra tem sua rotina e costumes totalmente mudados não por vontade própria mas graças as ações de seus coadjuvantes. Todos os âmbitos da sua vida mudam quase que simultaneamente a partir do pedido de divórcio que sua mulher faz, alegando estar apaixonada por uma amigo do casal e propondo que o marido se mude para um hotel. Ao mesmo tempo ele tenta organizar o Bar Mitzvá de seu filho, administrar os pequenos furtos que sua filha faz em sua carteira para realizar uma plástica no nariz, não sucumbir aos apelos de um aluno que tenta corrompê – lo para conseguir uma nota maior, além cuidar de seu irmão que apresenta um quadro cada vez pior do seu estado psicológico.
Com tudo ao mesmo tempo acontecendo e sem saber o que fazer, Larry decide consultar três rabinos diferentes para que possam aconselhá – lo sobre quais atitudes seriam mais prudentes de serem tomadas nesse momento totalmente singular de sua vida.

A ausência de um pulso firme para administrar a própria catarse chega a ser extremamente sufocante. Vê – lo ser negligenciado por todos ao seu redor e não demonstrar nenhuma emoção faz com que o momento em que ele finalmente chora, demonstrando que está sofrendo com tudo aquilo, seja delicioso.

A riqueza do filme está no roteiro que está longe de ser linear, já que por diversas vezes os sonhos do protagonista se misturam a realidade. Isso aliado a personagens nada convencionais e a um humor totalmente sarcástico resulta em uma obra que vale muito a pena ser assistida.

Um Homem Sério
Título original: A Serious Man
Lançamento: 2009/2010
Direção:Ethan Coen e Joel Coen
Elenco: Michael Stuhlbarg , Richard Kind, Fred Melamed, Sari Lennick
Tempo:105min
Gêneros: Comédia, Drama

 

“Simplesmente complicado”

03/03/2010

Nancy Meyers apresenta uma história simples e objetiva, que não foge do convencional, já que a base do seu roteiro é sobre uma mulher, no alto de seus 50 anos, divorciada, que após 10 anos resolve ter um affair com seu ex – marido, mesmo estando as voltas com um novo pretendente.

O divórcio de Jane (Meryl Streep) serve como pano de fundo para a personagem mostrar a dúvida que habita o coração de todo ser humano, se a cada atitude que tomamos pudéssemos voltar e optar por outro caminho, teríamos nos arrependido ou não. Se ações realizadas com tamanha convicção de outrora, são realmente reflexo daquilo que se quer ou apenas um momento que nos faz acreditar que é cabível a atitude tomada.
Jane é dona de uma confeitaria e após 10 anos de divórcio realmente se sente confortável na própria pele, demonstrando isso quando passa a finalmente a voltar a conviver cordialmente com o ex – marido e sua atual esposa. Tal amadurecimento é ilustrado pela reforma que ela decide fazer em sua casa e ter a cozinha que sempre sonhou. O empenho que ela mostra na realização dessa obra mostra como finalmente ela esta determinada a esquecer o passado e seguir adiante, se tornando a protagonista da própria vida.

Enquanto isso, seu filho mais novo está prestes a se formar, sendo assim, Jane, suas duas filhas e Jake, seu ex – marido vão a Nova Iorque para a cerimônia. E lá, após uma bebedeira, o ex – casal passa a noite junto. Esse é o estopim para que Jake perceba o quanto ainda ama Jane, e o quanto ela cuidou bem dele enquanto estavam casados.
Mesmo se sentindo culpada, eles mantém o caso quando voltam de Nova Iorque, o que rende momentos cômicos a história.
Nesse momento, o arquiteto responsável pela reforma Adam (um Steve Martin menos careteiro e que funciona muito bem em uma comédia romântica), um homem de meia – idade, divorciado há dois anos e que ainda não se acostumou com o fato de a ex – mulher já estar casada, se mostra bastante interessado na personagem de Meryl.
Durante boa parte do filme esse é o panorama da vida de Jane, que se vê as voltas com o passado conhecido, mas que a machucou bastante, e o futuro, que mesmo desconhecido parece ser certeiro.

Nancy Meyers, como em seus filmes anteriores, onde apresenta histórias cotidianas, que passam desapercebidas na nossa vida corriqueira, mas que chamam nossa atenção quando apresentadas com pitadas de humor. Sempre aliadas a uma trilha sonora que se encaixa perfeitamente a cada um de seus personagens e ao momento que atravessam.
Sem pretensões mais auspiciosas, o título faz jus ao roteiro a que se destina, já que quando se trata de relações humanas, é simplesmente complicado.

Simplesmente Complicado
Título Original: It’s Complicated
Lançamento: 2010
Direção: Nancy Meyers.
Elenco: Meryl Streep, Steve Martin, Alec Baldwin, John Krasinski, Lake Bell, Mary Kay Place, Rita Wilson
Gênero: Comédia/romance

“Nine”

01/02/2010

Um diretor de cinema as voltas com diversas mulheres, algumas que mesmo tendo feito parte de seu passado, ainda exercem forte influência sobre sua personalidade. Como se isso já não lhe causasse problemas o suficiente, ele se vê mergulhado em uma crise de ausência de criatividade, as vésperas do início da filmagem de seu nono longa. Essa é a premissa do novo musical de Rob Marshall, “Nine”.

O diretor norte – americano, após ter feito enorme sucesso na direção do musical “Chicago” (2002), se rendeu novamente ao gênero, apostando em um elenco estelar para contar uma história bem simples, ao meu ver. Daniel Day – Lewis interpreta o cineasta italiano Guido Contini, que após ter feito diversos filmes de grande sucesso, viu suas últimas obras serem resumidas a fracassos de bilheteria, aumentando assim, a pressão da imprensa e do seu produtor para que ele voltasse a produzir filmes aclamados pela crítica e pelo público.

Enquanto isso, ele tenta administrar um casamento falido com sua amável esposa, Luisa Contini, numa interpretação leve e certeira de Marion Cotillard. Na contramão desse relacionamento brando, está seu envolvimento com sua amante fogosa Carla, que não se importa em deixar o marido em casa para encontrar o amante em outra cidade. Como se isso não fosse suficiente, ele conhece a desinibida jornalista da revista Vogue, Stephanie. Isso sem contar, que ele tenta convencer a maior estrela da época, Cláudia, a protagonizar seu filme, sem ter a menor idéia do que se trata o roteiro.
Para não perder o eixo de vez, Guido sempre recorre as lembranças de sua mãe, papel de Sophia Loren. E tudo é observado por sua amiga e figurinista de seus filmes, Lilli, uma francesa que quando jovem trabalhou nos cabarés parisienses e nem por isso perdeu o pulso firme, algo que Guido sempre recorre quando esta prestes a desmoronar.

Marshall faz um joguete já com o nome do filme, “Nine”, quando faz uma alusão a “Felini 8 ½”, já que esse musical nada mais é do que uma nova versão da obra do diretor italiano de 1963. Além de contar no elenco com uma Sophia Loren ainda belíssima e que traz os pontos mais altos do filme quando surge.
Independente de qual tenha sido a intenção ao se realizar esse filme, acredito que ela não tenha sido alcançada, já que o filme não se segura pela trama, nem pela crítica que faz a mídia e nem a toda a indústria cinematográfica. O que parece ser certo, é que todo o destaque que o filme vem obtendo, se deve ao elenco, que com nomes de peso, consegue atrair uma ótima bilheteria. No mais, é uma mistura de estilos, o que faz com que a narrativa por oras, perca o interesse, já que o números musicais entram no meio da trama, desviando a atenção da história principal e não como em “Chicago”, onde o musical estava inserido dentro do enredo de forma natural estando amarrado completamente a história que se propunha a contar.

Já em “Nine”, por diversas vezes, o musical que “surge” parece estar completamente fora da ambientação da trama, como o apresentado pela personagem de Kate Hudson, a jornalista Stephanie. Todo em P&B, a atriz surge em um figurino repleto de franjas e em uma passarela como cenário, numa pegada muito anos 90, o que foge do tempo no qual o filme se ambienta, década de 40. É impossível assistir a atriz cantando “Cinema Italiano” e não imaginar que a qualquer momento ela vai lançar um “Strike a pose” advindo da era “Vogue” da Madonna, de onde parece ter surgido a idéia para cenário e coreografia dessa canção.

No mais, “Nine” é um filme que não acrescenta muito e acredito que nem entretenimento, já que várias vezes você consegue abstrair o filme e pensar em outras coisas não relacionadas ao que está sendo apresentado.

Nine
Título original: Nine
Lançamento: 2009/2010
Direção: Rob Marshall
Elenco: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren, Stacy Ferguson
Gênero: Musical, Drama
Duração: 118 min
Gênero: Musical/Drama

 

“Onde vivem os monstros”

19/01/2010

Max é um garoto de nove anos, filho de mãe solteira, e como qualquer outra criança, gosta de ter atenção. Em um dia como outro qualquer, ele monta sua cabaninha e chama a mãe para brincar. Não obtendo resposta, ele resolve ver o que está acontecendo, é quando se depara com o namorado dela. Encabulada com a situação, ela resolve colocar o jantar. Ele se recusa a ajudá – la e a situação definitivamente sai de controle quando Max acidentalmente a morde. É quando ele foge de casa, se embrenha em uma mata, entra em um miniveleiro e navega até se deparar com uma floresta habitada por monstros. Nessa terra desconhecida ele se transforma em rei. Max, então, tem a liberdade para mandar e desmandar, longe de regras ou restrições. Essa é a premissa de “Onde vivem os monstros”.

Spike Jonze trouxe as telas o livro homônimo escrito e ilustrado por Maurice Sendak, ‘Onde Vivem os Monstros’, publicado originalmente em 1963. E só um diretor descomprometido com a realidade, poderia dar conta de nos mostrar o mundo de Max com sensibilidade e pitadas de um humor inocente, fazendo com que a fábula sobre os monstros que uma criança tem “dentro” de si, soe tão verdadeiro.

Antes de chegar a essa terra estranha, Max navega, ora por águas calmas e com dias ensolarados, ora por águas turbulentas e noites escuras. Nesse ponto Jonze já da pistas se que o garoto vive em uma montanha – russa de emoções, não conseguindo se manter estável diante da realidade que vive e que parece querer abstrair, devido a facilidade que tem em criar histórias, parecer sempre querer estar em outro mundo que não o seu.
Quando ele é apresentado aos monstros, ele passa a conhecê – los individualmente, onde percebe que cada um possui dualidades em sua personalidade. Sendo assim, Max se depara com os pontos positivos e negativos que eles apresentam e observa as dores e delícias de serem como são. Mesmo ficando perplexo com as súbitas mudanças de comportamento que alguns deles apresentam, ele percebe, que por mais que ache divertido viver no caos, sua mãe tem razão em criá – lo do jeito que o faz, mantendo a ordem, e que acima de qualquer coisa, o ama. Isso causa impacto nesse garoto, até então imaturo, e faz com que ele compreenda que nem sempre as coisas são como gostaríamos que fosse, mas que isso não significa que não há respeito e nem amor.

O título em inglês, nada mais é do que sim, cada um tem seu monstro interior e precisa achar o melhor modo de conviver e administrar isso, sem que o mesmo o devore a qualquer momento. E o mais legal é que isso é representado por bonecos que geram afeição de imediato, mesmo não sendo caracterizados de forma “fofa”. E por incrível que pareça, a interpretação deles, a expressão do olhar é comovente, bem mais convincente do que muito ator global.
No mais, mesmo se tratando de um filme fantástico e inverossímil, ele passa longe de ser bobo e de ter o público infantil como alvo.

Onde Vivem os Monstros
Título original: Where the Wild Things Are
Lançamento: 2010
Direção: Spike Jonze
Elenco: Paul Dano, Forest Whitaker, Catherine Keener, James Gandolfini, Catherine O’Hara, Lauren Ambrose, Tom Noonan
Duração: 101 min
Gênero: Aventura/Drama

 

“A felicidade não se compra”

10/01/2010

Apenas vozes e três pontos brancos naquilo que parece ser um céu. Essa é a cena  inicial de um dos filmes mais otimistas que já assisti. “A Felicidade não se compra” poderia ter sido lançado ontem, já que seu enredo é atemporal, mas não, sua estréia ocorreu em 1946.

A história é simples, porém bem delineada. Um espírito desencarnado, que para ganhar suas tão sonhadas asas e virar anjo, tem como missão ajudar um homem de bom coração, que naquele momento se depara com uma situação desesperadora, que o faz contestar a fé que tem em si mesmo e nas ações que havia realizado até então. Somos apresentados a George Bailey (James Stewart), ainda na infância, e a todas as suas atitudes, que por mais que pareçam aleatórias, irão fazer toda a diferença não apenas em seu futuro mas na das outras personagens também.

O ano agora é 1929, o mesmo do crash da bolsa e quando George abre mão de seus sonhos, deixando de ir embora da cidade, para assumir o negócio de seu pai, que acabara de falecer. Mesmo sem nenhuma experiência no ramo que esta prestes a se aventurar, ele aceita o desafio que lhe é proposto, mostrando que prefere se lançar no escuro no ramo financeiro na mesma época em que a crise assola os EUA, a deixar o negócio da sua família ir parar nas mãos do Sr. Potter (Lyonel Barrymore), um homem ambicioso e sem escrúpulos, que não mede esforços para ter o total domínio sobre a pequena cidade de Bedford Falls. Isso já da pistas do caráter da personagem e do seu otimismo desenfreado.

Então, devido a diversos acontecimentos, casamento, chegada dos filhos, estabilidade financeira, George fica cada vez mais distante de seus reais objetivos, ir embora da pequena cidade, construir pontes, arranha – céus, se permitindo estar cada vez mais preso a cidade e as pessoas que lá residem e demonstram confiança nesse jovem empresário. Porém, em determinado momento, por uma manobra do destino, aquele homem até então fiel aos seus princípios os vê cair por terra, quando começa a surgir a dúvida de até onde sua ética pode ajudá – lo a se manter alheio a tentação de se vender e sucumbir ao dinheiro fácil. Sem saída, George vê como única solução o suicídio, é quando Clarence (Henry Travers) vem a Terra para salvar essa alma e tentar ganhar sua asas para finalmente se tornar um anjo.

Lançando mão de um roteiro simples e linear, acredito até que Capra tenha se baseado em “Cândido” de Voltaire. Já que seu protagonista é ingênuo, com caráter e um otimismo acima da média, inserido em um filme que parece querer dar um novo sopro de vida, por ser totalmente avesso a realidade que o mundo atravessa, o pós – guerra, pregando que há esperança, que o dinheiro não compra tudo e que quem tem amigos tem tudo. Aliás, ele cita isso em uma das melhores falas do filme, quando Clarence afirma que nenhum homem é um fracasso se ele tem amigos. Mas esse não é o único trunfo do filme, e sim seus clichês, por mais que ele sejam batidos até hoje.

Sim, porque mesmo recorrendo a temas batidos, o protagonista bom e amável, o antagonista mercenário, o encontro do verdadeiro amor, o filme é amarrado de uma maneira leve que não tem como não se comover com a história desse homem, ainda mais quando você se coloca no lugar dele, e não fazer um paralelo com a sua própria vida. Isso aliado aos diversos argumentos apresentados durante a película sobre uma felicidade que não pode ser comprada e que são facilmente absorvidos pelo espectador de forma branda, já que as ações ocorrem de forma natural, nunca piegas ou infantil.

A Felicidade Não Se Compra
Titulo original: It’s a Wonderful Life
lançamento: 1946
Direção: Frank Capra
Elenco: James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore, Thomas Mitchell, Henry Travers, Beulah Bondi
Duração: 129 min
Gênero: Drama


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